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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A inclinação para a procrastinação


Quem nunca procrastinou ponha o dedo no ar.
A procrastinação é uma epidemia mundial que afeta a maioria da população. Até mesmo quem não sabe que existe um nome tão complicado para uma coisa tão simples: deixar para amanhã o que se pode fazer hoje.
Aproveitando que não pus o dedo no ar, deixo aqui uma técnica simples para combater a procrastinação. É a técnica do frango assado e baseia-se em duas perguntas:

Pergunta 1: Como comer um frango assado?
R: Partindo-o aos pedaços.
Os especialistas do churrasco sabem-no bem. Não vale a pena vender um frango inteiro. A tarefa de o comer tornar-se-ia muito mais complicada, suja e confusa. Em vez disso, divide-se o frango em partes mais facilmente manejáveis.
O mesmo princípio se pode aplicar a uma tarefa, seja ela qual for. Um trabalho de pesquisa, um trabalho de casa aborrecido, ou até uma tarefa interessante que, não sabemos porquê, continuamos a adiar. O mais provável é ser uma tarefa demasiado grande. Depois de a dividirmos em partes lógicas, podemos programar a melhor altura para realizar essas mini-tarefas, consoante aquilo que é necessário. Também podemos pensar numa recompensa autoatribuída para premiar o fim de cada etapa. Desta forma, a recompensa final não parece tão longe.

Pergunta 2: Por onde começar?
R: Pela parte que mais se gosta.
É o que todos fazemos quando podemos. Começamos pela parte do frango que mais gostamos. Depois de dividir a tarefa maior em outras mais pequenas, podemos começar por aquela que mais nos interessa ou dá mais prazer. Muitas vezes o momento mais difícil é mesmo o de começar. A partir daí a inércia encarrega-se de manter o movimento.


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terça-feira, 16 de julho de 2013

Férias produtivas


Todos os anos é a mesma coisa. Temos dezenas de planos para o verão. Agora é que vai ser. Temos tempo para tudo e o stress do ano escolar ficou para trás.
Mas quer sejamos professores, pais, alunos, ou uma mistura dessas coisas, o desfecho é sempre o mesmo: chega  setembro e sentimos que não fizemos nada.
Vejamos então algumas dicas para tornar este verão o mais produtivo de sempre:
- Planear, planear, planear. Esta é a dica universal que serve para tudo. Neste caso, a ideia é fazer uma lista das coisas que queremos realizar. Qualquer lista pode ser mais tarde aumentada, por isso é uma questão de escrevermos tudo o que nos vier à cabeça. De seguida, classificar todos os itens como "urgentes" ou "não urgentes". Voltar ao início e classificá-los como "importantes" ou "não importantes". As tarefas que forem ao mesmo tempo urgentes e importantes são as primeiras a tratar. Chama-se a isto priorizar.
- Manter as rotinas. Apesar de ser verão, não quer dizer que não haja rotinas. Ao contrário do que se possa pensar, não ter horários não nos ajuda a descansar nem a repor energias. Deitar e acordar, o mais possível, às mesmas horas, é essencial para mais tarde não serem precisas umas "férias das férias". Também é importante manter os horários das refeições e fazer exercício físico regular. Adquirir estas rotinas numa altura em que há menos stress, ajuda-nos a entrar no novo ano letivo já em forma.
- Aprender a dizer "não". O facto de termos muito tempo (não planeado) dá-nos a sensação de que podemos fazer tudo, aceitar todos os convites, ir a todos os sítios e quando acordarmos vai ser sempre dia 1 de agosto. Pois... mas não. Ter um horário semanal (dentro de um plano global), ajuda-nos a programar a quantidade de vezes que queremos sair e de entre todos os convites, a escolher os 2 ou 3 melhores da semana.
- Libertar a mente. Termos constantemente aquelas coisas das quais não nos podemos esquecer é um tormento o ano inteiro. Para isso servem as agendas, listas, etc., desde que estejam organizadas e sejam objetos fáceis de transportar. Guardanapos e versos de recibos não vale. Escrever tudo o que é para lembrar mais tarde pode parecer um trabalho desnecessário. Mas não. É um preço pequeno a pagar por uma mente livre. Para quem tem a tecnologia sempre à mão, recomendo o Any.do (listas de tarefas simples), o Wunderlist, (projetos mais elaborados), ou o Trello (projetos em equipa). Não esquecendo o velho Google Calendar.
- Arrumar as tralhas. Pegar em livros e cadernos no final do ano letivo pode ser a última coisa que nos apetece. É justo e muitas vezes necessário reservar um tempo para não fazer nada. Mas esse tempo tem de ser uma fração do tempo de férias disponível. Não se pode prolongar indefinidamente e deve ser no máximo de 20%. Para quem ainda tem férias de 15 de junho a 15 de setembro, duas semanas sem fazer nada é algo possível. Para quem só tem um mês, meia semana tem de chegar. Arrumar o local de trabalho, arquivar coisas que não queremos voltar a ver, é um descanso e algo que se faz muito mais facilmente quando ainda está tudo fresco na memória. Isto serve também para computadores, discos, dropbox e email. Começar o ano letivo com tudo arrumadinho é como dormir numa cama feita de lavado.
- Aproveitar o sol. Afinal de contas é verão e daqui a nada já passou. Praia e piscina dão-se bem com livros. Seja a obra de Português obrigatória no próximo ano (e muito mais difícil de ler nos rigores do inverno), seja uma nova teoria ou abordagem sobre coisas que sempre fizemos da mesma maneira, ou aquele livro especial que nos ofereceram no Natal. Aproveitar os dias mais longos para manter o corpo e a mente ativos é investir não só num verão mais produtivo, mas também num ano inteiro de objetivos atingidos.    
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terça-feira, 23 de abril de 2013

Ciências Complicativas

Uma das atividades que procuro desenvolver com os alunos nas sessões de apoio pedagógico é aquilo a que chamo "dissecar os livros". Os manuais escolares são coisas caras, que os pais compram muitas vezes com esforço e que, para além de muitas figuras coloridas, se supõe que contenham informação. Coisas importantes, que os alunos têm de saber para se tornarem adultos informados. A maior parte dos assuntos que vêm nos livros são fascinantes. Mas a maneira como estão explicados transforma-  -os numa tortura.
Dou um pequeno exemplo que vi hoje num livro de Ciências do 8º ano. Sabem o que é uma inundação? Toda a gente sabe, não é? Mesmo os alunos de 8º ano já sabiam, antes de lhes dizerem que as inundações são um dos "fatores de origem natural perturbadores do equilíbrio dos ecossistemas".
Mas importa não esquecer que quando há inundações, "as águas transbordam os seus leitos e espalham-se pelas populações circunvizinhas". Peço desculpa porque não tenho aqui o livro e provavelmente não me expressei do modo mais científico, mas o que me ficou na memória foi a palavra "circunvizinha". A sério? Não havia lá nada um pouco mais simples?
Aqui está uma palavra que eu nunca tinha usado na vida. E até agora estava convencida de que sabia o que era uma inundação. Tal como estava aquela aluna, antes de alguém lhe pôr o livro à frente.
Em vez de se concentrarem nos conceitos, em compreendê-los e em tentarem explicá-los por palavras próprias, os alunos passam horas a tentar decorar estas frases absurdas (acreditem, isto é apenas um pequeno exemplo).
A propósito disto, lembrei-me de uma TEDTalk em que um professor de Ciências se queixa exatamente do mesmo. Tyler DeWitt afirma o que muita gente já diz: que a aprendizagem precisa de um fator emocional, de uma relação com o conteúdo. Que para haver essa ligação emocional, é necessário que os alunos compreendam o que lhes estão a dizer. E que, se possível for (se ninguém se ofender com isso), é necessário que os conteúdos sejam apresentados de uma forma interessante e divertida. Por exemplo, contando uma história, da qual eles se possam lembrar melhor do que da palavra "circunvizinha".
DeWitt queixa-se de uma obsessão pela exatidão, de uma busca pela seriedade e perfeição cujo único resultado tem sido transformar o discurso científico em algo incompreensível. Ou seja: para evitar que os alunos aprendam factos que não são 100% corretos, estamos a fazer com que não aprendam praticamente nada. O que é que preferimos?

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sexta-feira, 29 de março de 2013

Jogos de computador e a escola do futuro


Já muito se falou sobre "gamification" aplicada ao ensino. Ou seja, fazer de várias etapas da aprendizagem um jogo, de modo a envolver e motivar mais os alunos. Pessoalmente, utilizo e recomendo. Os resultados são imediatos. Qualquer tipo de jogo tem resultados garantidos em qualquer plateia, dos 8 aos 80 anos. Até os meros sorteios, que uso por tudo e por nada, são uma maneira fácil de obter atenção total, nem que seja  por breves minutos.
Sortear os grupos de trabalho, por exemplo, tem três vantagens óbvias:
- evitar que se formem sempre os mesmo grupos com as mesmas dinâmicas (a maior parte das vezes improdutivas)
- retirar ao professor a responsabilidade de formar outros grupos (diminuindo eventuais protestos e perdas de tempo)
- inserir na turma os alunos que por várias razões nunca são escolhidos, e desafiar os que se habituaram a trabalhar dentro da sua zona de conforto.
Há muitos jogos que se podem aplicar facilmente numa sala de aula, com múltiplos objetivos pedagógicos, e é minha intenção ir publicando aqui alguns. Mas para já, vale a pena ver este video e refletir sobre o que nos diz Paul Gee.
Uma das mensagens que me parece mais importante é a ideia de que as pessoas não se tornaram mais preguiçosas. Há alunos a aprender estratégias complicadíssimas de jogos de computador, enquanto afirmam que a Trigonometria de 9º ano é demasiado complicada. Os jovens não perderam o interesse pelo desafio e pela complexidade. Apenas precisam de outros recursos de aprendizagem, que promovam cada vez mais a autonomia e cada vez menos a apatia.

Para quem tem tempo e interesse no tema, aqui ficam mais 50 videos sobre Gamification:
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Semanada: subsídio ou recompensa?

O que eu gosto nas TED Talks é que, em poucos minutos, conseguem agarrar nas nossas convicções e pô-las de pernas para o ar.
Sempre acreditei que a semanada era uma coisa boa. Que podia ensinar as crianças, desde muito pequenas, a fazer contas e a ter uma noção do valor do dinheiro. Quer fosse um valor maior ou mais pequeno, poderia ensiná-las a entender que o dinheiro não é um recurso infinito, dependente da boa-disposição dos pais. Seria uma forma de os preparar para, mais tarde, gerir um ordenado e fazê-lo chegar ao fim do mês. De preferência até poupar.
Mas o "pormenor" em que este conceito de semanada difere do conceito de ordenado é que a nós, adultos, pagam-nos para fazer um trabalho. Ou seja, pagam-nos por uma qualquer razão, e não apenas porque existimos. No caso das crianças, continuo a achar que, consoante os casos, pode haver um "ordenado base" e um sistema de incentivos. Ou um valor para o que se define ser essencial e outro para extras.
Cameron Herold fala sobre empreendedorismo e sobre como podemos encorajar esse comportamento em crianças que o demonstrem. Embora, na minha opinião, seja um pouco radical aqui e ali, vale a pena ouvir o que tem a dizer sobre isto:
As mesadas estão a criar nas crianças de tenra idade a expectativa do vencimento regular. O que eu faço com os meus filhos é ensiná-los a andar pela casa e jardim, à procura de coisas que precisem de ser feitas. A virem ter comigo e a dizerem-me o que é. Ou vou eu ter com eles e digo-lhes, "Aqui está o que quero feito." E então sabem o que fazemos? Negociamos quanto é que eles vão receber de pagamento. Eles não têm um cheque regular, mas têm mais oportunidades de encontrar mais coisas, e aprendem a negociar e encontrar oportunidades. Cada um dos meus filhos tem dois porquinhos-mealheiro. 50 por cento de todo o dinheiro que eles ganham ou que lhes dão, vai para a conta da casa. Os outros 50 porcento vão para a conta dos brinquedos e podem gastar no que quiserem. Os 50 por cento que vão para a conta da casa, a cada seis meses, vão para o banco.
E, já agora, sobre criatividade e autonomia:
Não lhes leiam histórias para adormecer todas as noites. Talvez quatro noites por semana leiam histórias para adormecer, e três noites por semana façam-nos contar histórias. Porque é que não se sentam com os vossos filhos e lhes dão quatro coisas, uma camisa encarnada, uma gravata azul, um canguru e um computador portátil, para os fazerem contar uma história sobre essas quatro coisas. Os meus filhos fazem-no constantemente. Isso ensina-os a vender; isso ensina-lhes criatividade; isso ensina-os a pensarem por si próprios. Façam simplesmente esse tipo de coisas e divirtam-se com isso.
Se estiverem mesmo com muita pressa ou quiserem ir direto ao assunto, vejam só a partir do minuto 13:12.

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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Aviso: As crianças também são pessoas.

Parece um ovo de Colombo mas não é. Se dissermos a um pai ou a um professor que as criaturas com quem lidam diariamente são pessoas, farão talvez uma cara de "óbvio, claro que sim". Mas a verdade é que o seu comportamento não reflete essa evidência. As crianças, os jovens (e já agora, os idosos) são tratados diariamente como cidadãos de segunda. Existe uma espécie de elite entre os 30 e os 50 anos que tudo conhece e que, qualquer que tenha sido a sua experiência de vida, se arroga saber melhor o que convém aos novos e velhos.
Sem dúvida que qualquer um de nós pode deter competências que nos levam a tomar melhores decisões sobre este ou aquele assunto. Mas nem sempre isso tem a ver com a idade. Ou se calhar raramente tem.
Desde que nascemos que começamos a aprender e a desaprender. A fazer as ligações no nosso cérebro que nos são úteis, e a desfazer as que não usamos. O resultado dessa rede de ligações faz de nós, a cada momento, uma pessoa mais competente que outras, sejam quais forem as idades em questão.
Depois de no século passado termos assistido às lutas contra o racismo, o sexismo, a homofobia, talvez o séc. XXI comece a olhar de outra forma para o idadismo (ou ageism, segundo Robert Neil Butler). Este conceito, que descreve principalmente as discriminações que sofrem os cidadãos de um dos extremos da linha da vida, pode perfeitamente aplicar-se aos do outro extremo: as crianças e jovens.
Se pensarmos bem, todos conseguimos lembrar-nos de momentos em que discriminámos, diminuímos ou até  ofendemos deliberadamente pessoas mais novas. As salas de aulas estão cheias de comentários ofensivos: "Vocês não sabem nada"; "Nem interpretar um texto conseguem"; "Mas isto é uma turma do secundário ou do 1º ciclo?". 
E aquilo que a maior parte de nós não compreende, é que comportamento gera comportamento. Que o "mau comportamento" dos alunos pode ser uma resposta ao "mau comportamento" dos professores. É uma questão de respeito, dizem muitos. Mas a verdade é que a maior parte das vezes não há respeito pelos alunos enquanto pessoas. Foi assim que nos ensinaram, foi assim que crescemos, e temos uma tendência natural para imitar o que nos foi dado. É uma guerra em que já não se sabe quem disparou o primeiro tiro.
O exercício que costumo fazer é imaginar que todos os meus alunos são adultos e interrogar-me se usaria aquelas palavras e aquele tom com um adulto. E muitas vezes tenho de emendar a mão a meio da frase. A reação a um tratamento respeitoso nem sempre é o mesmo respeito, porque também eles já estão entretanto formatados para reagir com agressividade a qualquer figura de poder. Demora tempo, às vezes um ano letivo inteiro, e a alguns nunca se chega. Mas a coerência e persistência acabam por dar os seus frutos.

A propósito disto, oiçam alguns destes argumentos,  diretamente da boca de uma criança:
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O bicho papão da Matemática

Muito se fala sobre as dificuldades dos alunos com a Matemática. Os resultados dos exames traçam um cenário catastrófico. Dan Meyer, professor, defende que esses resultados não são consequência da incapacidade dos alunos, mas sim da desadequação dos métodos de ensino.
Numa conferência cheia de exemplos, conselhos e casos práticos, Dan Meyer explica passo a passo as causas e consequências de se ensinar com os olhos postos na solução e não no problema.
Imperdível para professores de Matemática, e altamente recomendado para todas as outras disciplinas.


Vale a pena visitar o blog de Dan Meyer,  repleto de materiais, exercícios, videos, etc.

Algumas citações:
Sou professor de Matemática no Secundário. Vendo um produto a um mercado que não o quer, mas é obrigado por lei a comprá-lo.
Se vos desse um exame final de Matemática, não esperaria uma taxa de aprovação de mais de 25%. Isto diz menos sobre vocês ou sobre os meus alunos do que diz sobre o ensino da Matemática hoje em dia.
O raciocínio matemático (a aplicação dos processos matemáticos ao mundo à nossa volta) é o mais difícil de ensinar. É o que gostaríamos que os alunos retivessem, mesmo que não seguissem a área de Matemática.
Numa sala de aula, há cinco sintomas de que não se está a ensinar bem o raciocínio matemático: falta de iniciativa, falta de perseverança, falta de retenção, aversão a problemas com texto, avidez de encontrar a fórmula. Tudo isto é destruidor.
Estou muito preocupado com isto, porque vou reformar-me num mundo gerido pelos meus alunos. E estarei a prejudicar o meu próprio futuro e bem-estar se continuar a ensinar desta maneira.
David Milch, criador de séries de televisão, tem uma boa descrição disto. Diz que se as pessoas encherem a cabeça com horas de programas simples, isso condiciona-lhes as ligações cerebrais, e passam a esperar que as questões sejam sempre simples. Ele chama-lhe a “impaciência com a resolução”. Tornamo-nos impacientes com as coisas que não se resolvem rapidamente. Esperamos problemas do tamanho e da complexidade de uma sitcom, que se resolvem em alguns minutos, um intervalo e uma série de gargalhadas.
Os manuais ensinam o raciocínio matemático e a resolução paciente de problemas de uma maneira equivalente a ver uma série de televisão e ficar por aí.
Acredito na vida real. E perguntem-se, quais foram os problemas que alguma vez resolveram para os quais já  tinham toda a informação, em que não tivessem informação a mais (de que não precisassem e tivessem de filtrar), ou em que não houvesse informação suficiente e tivessem de a procurar algures. Penso que todos concordamos que nenhum problema que valha a pena resolver tem essas facilidades.
Einstein dizia que a formulação de um problema é incrivelmente importante, e no entanto a minha experiência é que nós apenas damos problemas aos alunos. Não os envolvemos na formulação.
Gosto desta questão: quanto tempo demora a encher um tanque de água? Primeiro eliminamos todos os passos intermédios. São os alunos que têm de os descobrir e formular. Têm de decidir se a altura do tanque interessa, ou o tamanho, ou a cor da água. “O que é que interessa aqui?” Esta é uma pergunta muito pouco colocada no ensino da Matemática.
Alguns alunos não participam numa discussão matemática porque sabem que alguém há de ter a fórmula e há de saber aplicá-la melhor. Mas se a conversa começar pela pergunta, estamos todos a trabalhar com base na intuição. Ponho nomes no quadro e anoto os palpites de cada um.
Encorajo os professores a usarem multimédia, porque isso traz o mundo real para dentro da sala de aula. A estimularem a intuição dos alunos. A perguntarem a pergunta mais curta possível, e deixar as questões mais específicas surgirem no debate. A deixarem os alunos construir o problema. A serem menos prestáveis, porque os manuais só ajudam da maneira errada.
Esta é uma época fantástica para se ser professor de Matemática, porque temos no nosso bolso as ferramentas para criar aulas de qualidade. Estão por todo o lado e são cada vez mais baratas.
As pessoas estão sedentas destas coisas. A Matemática dá sentido ao mundo. É o vocabulário da nossa intuição.


 

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